Quando o hedge aparece negativo no balanço, a primeira reação de muitos gestores é encerrar a posição.
Em geral, essa é exatamente a decisão errada.
A confusão tem origem em um conceito que poucos dominam com clareza dentro das empresas: a Marcação a Mercado — o MtM de NDFs e swaps.
O MtM não representa perda realizada. Representa o valor presente do derivativo se ele fosse liquidado naquele momento. E quando o hedge está funcionando como deveria, o MtM negativo do derivativo costuma ser o espelho de um resultado positivo na posição protegida — seja uma receita de exportação maior em reais, um custo de importação menor, ou um passivo com taxa mais favorável.
O problema aparece quando empresa e derivativo são analisados separadamente. O controller vê o MtM negativo. O financeiro vê o resultado do hedge isolado. Ninguém consolida os dois lados da operação — e a conclusão é que “o hedge está dando prejuízo”.
Hedge de Caixa e Hedge de Balanço não são a mesma coisa
Essa distinção tem consequências práticas relevantes — e o prazo é o fator central.
No Hedge de Caixa, a proteção está alinhada a um fluxo futuro concreto: uma exportação a receber, uma importação a pagar, um contrato de fornecimento. O derivativo e a posição protegida se movem em direções opostas — e o resultado líquido é o que importa.
No Hedge de Balanço, o objetivo é diferente: proteger o valor patrimonial de ativos ou passivos denominados em moeda estrangeira ou indexados a taxas variáveis. O horizonte é mais longo e os critérios de efetividade são mais rigorosos — especialmente para quem aplica Hedge Accounting.
Confundir os dois tipos de hedge leva a decisões equivocadas: encerrar posições antes do vencimento, contratar o instrumento errado para o tipo de exposição, ou simplesmente não entender por que o resultado financeiro oscila mesmo com hedge em vigor.
O que o MtM revela — e o que esconde
O MtM impacta tanto o caixa quanto a contabilidade — e de formas distintas, dependendo do instrumento e da estrutura adotada.
Um swap cambial com liquidação no vencimento não gera impacto de caixa ao longo do período, mas produz variação contábil a cada fechamento. Estruturas derivativas com ajustes ou exigências de garantias podem impactar a liquidez da empresa antes do vencimento da proteção.
Gestores que não compreendem essa mecânica tomam decisões de curto prazo que comprometem a estratégia de proteção de médio e longo prazo.
A Formação em Gestão de Riscos, Derivativos e Hedge da Damke Academy dedica um bloco inteiro a esses temas — MtM em NDFs e swaps, Hedge de Caixa x Hedge de Balanço, efetividade do hedge e impactos contábeis e de caixa para empresas, tradings e fundos.
Ministrada pela Profa. Berenice Damke, com aulas ao vivo às segundas e quintas das 19h às 21h e encerramento presencial em São Paulo em outubro de 2026. Inscrições abertas até 03 de agosto.
Na Damke, entendemos que o hedge só cumpre seu papel quando a empresa compreende o que está protegendo — e o que está aceitando carregar.


